Saudações.
Professoras e Professores;
Colaboradoras e Colaboradores;
Bacharelas e Bacharéis;
Minhas Senhoras e meus Senhores.
A vida é constituída de momentos, e muitos deles, por serem magnânimos, devem ser devidamente comemorados. É o caso deste.
Prezadas formandas, caros graduandos, aceitem os parabéns de todos os que fazem a Organização Educacional Farias Brito.
Hoje, quatro de fevereiro, precisamente às 20h27min, cada um dos concludentes vivenciou um dos maiores momentos de sua existência. O Governo da República Federativa do Brasil, por nossa intermediação, concedeu-lhes o grau de Bacharel.
Momento de celebrar e de rememorar grandes momentos. O primeiro deles, um ato de amor, quando, após uma ferrenha competição e consequente vitória, a representatividade do homem encontrou a da mulher e nasceu o fruto.
Poder-se-ia pensar: se nascemos de uma competição, então é natural que existam as disputas, as guerras, a atuação segundo a chamada “Lei de Gérson”, que prega o “levar vantagem em tudo”. Imaginar-se-ia que o capitalismo selvagem poderia ser inerente à essência humana. Na realidade, somos animais, e nossos ancestrais eram selvagens, alguns até antropófagos. Ainda hoje, para nos alimentarmos, tiramos a vida de animais. No entanto, é nessas horas que se faz presente a mais nobre atividade humana: a Educação. Cumpre que os educadores reconheçam a existência da competição e ensinem sua prática com ética e lealdade.
Momento de relembrar um momento divino. No nascimento, cada um de vocês passou a ser protagonista da própria história, não pertencia ao pai, não era da mãe. Era um ser resultante do amor entre eles, que, sob a orientação do casal, iria crescer e depois voar.
O desabrochar de suas vidas deu-se no século vinte, cuja excepcionalidade está descrita no livro de memórias de Roberto Campos, com o título A Lanterna na Popa, inspirado na seguinte citação de Samuel Taylor: “Mas a paixão cega nossos olhos, e a luz que a experiência nos dá é a de uma ‘lanterna na popa’, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás.” O mesmo dizia Pedro Nava aos 80 anos, com outras palavras: “Experiência é como o farol de um carro iluminando para trás.”
A nosso juízo, Campos e Nava enganaram-se. De fato, os faróis voltados para trás são inúteis aos seus possuidores, mas de grande valia para quem os segue. É o caso dos faróis traseiros de todos os que contribuíram para o sucesso destes valorosos neobacharéis.
São dotados desses valiosos faróis posicionados para trás as suas mães e os seus pais, que, ao priorizarem o conhecimento, deram-lhes a direção e o sentido corretos. Merecem, pois, nossas congratulações os grandes coadjuvantes desta vitória, as mães e os pais dos formandos.
Momento de reconhecer. Tempo de lembrar os momentos de aprendizado com os professores da Faculdade Farias Brito, todos eles educadores, segundo a definição de Rubem Alves. Para ele, “professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão, é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança”. Nobres professoras e professores de profissão, vocês aqui estão porque são educadoras e educadores de vocação. Parabéns, caros educadores, professores da Faculdade Farias Brito, por mais este sucesso.
Momento de alegria. Hora de recordar os momentos de convívio com diretores, coordenadores, psicólogas e colaboradores de nossa Faculdade. Todos eles, como educadores, dedicaram-se à formação e graduação destes jovens e merecem nossas homenagens.
Momento de agradecer a namoradas, namorados, cônjuges e amigos pelos momentos de apoio.
Caríssimos graduandos e graduandas, ao discorrer sobre os seus nascimentos, lembramos que se deram em um século com excepcionalidades, que Roberto Campos, na obra intitulada A Lanterna na Popa, assim descrevia:
“Já vivi três quartos de século e vivi mais do que um século. Pois este século XX começou tarde e terminou antes do tempo. Começou a rigor em 1917, ano em que nasci, quando tonitruavam os canhões na Champagne e em Flandres e desabava mundialmente a velha ordem, com a eclosão da revolução comunista. Terminou em 1989, com a queda do muro de Berlim e o colapso do marxismo-leninismo. Está por surgir uma nova ordem, cujos contornos não são ainda discerníveis na bruma da história.”
Com base na metáfora de Campos, esperamos que estes brilhantes concludentes atravessem a névoa da vida e decifrem os contornos desta ordem por vir.
Primeiro, a história mostrou que um sistema com muito governo e pouco mercado não é adequado. Depois, a crise de 2008, que ainda não foi debelada, evidenciou que a combinação de muito mercado e pouco governo também não funciona. Busquemos, portanto, a dosagem correta de público e privado, embora seja tão difícil alcançar o regime ideal quanto o homem ideal.
A nosso ver, esta busca tanto por um homem como por um sistema de governo melhor ocasionará uma sociedade aprimorada. Assim, nós nos aproximaremos de Karl Popper, quando diz: “O melhor regime é o capitalismo com infinitas tentativas de aperfeiçoamento.”
Momento magno. Instante de se transportar para os primeiros momentos de escola e expressar gratidão às primeiras professoras, maestrinas dos momentos mágicos que constituíram o processo de alfabetização. A partir de então, o aprendiz ouvinte passou a aprender também pela leitura. Daí em diante, puderam ser apreendidas as lições de Ana Maria Machado, Ziraldo, Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Alexandre Dumas, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Camões, Shakespeare, Freud, Einstein e tantos outros. Nossas homenagens às professoras da Educação Infantil, grandes estimuladoras dos momentos da alfabetização, alicerce das vitórias de hoje.
Momento de reviver os momentos de conclusão dos Ensinos Fundamental e Médio. Nossas felicitações também aos professores dessa época, quando encontros inesquecíveis foram vivenciados e grandes amizades foram formadas.
Momento de rememorar o momento de vitória na transição da educação básica à superior. Vocês tornaram-se universitários, alunos da Faculdade Farias Brito.
Passaram-se momentos e semestres. Muitas provas, muitos trabalhos. Grandes amizades adquiridas, muitas brincadeiras, o surgimento de alguns apelidos, muitas aulas, muitos estudos, muitas noites maldormidas, e, hoje, vocês já podem, com todas as honras, dizer: somos bacharéis.
Todos os que fazem a Faculdade Farias Brito já estão com saudades de vocês. Provavelmente, as bacharelas e os bacharéis estão com saudades uns dos outros e da Faculdade. Como dizia Tancredo Neves, “não nos dispersemos”. Nos tempos antigos, a comunicação se fazia apenas por escritos em papiro; depois, por cartas, telegrama, código morse, cabograma e telefone. Hoje, a saudade é atenuada com a simplicidade de um clique. Existem e-mail, SMS, Facebook, Twitter, e sempre existiram, existem e existirão o aperto de mão, o tapinha nas costas, o abraço gostoso, o “amasso”, como dizem vocês.
Ray Kurzweil é futurista, empreendedor, inventor e uma das mentes mais brilhantes e controversas da atualidade. Ele criou máquinas de leitura para cegos, tendo Stevie Wonder como sócio e cliente. Kurzweil previu que o computador venceria o homem no xadrez em 1999. Errou por dois anos. O Deep Blue da IBM venceu o campeão mundial Kasparov em 1997. Para ele, “o homem e a máquina se fundirão por volta de 2045, criando uma espécie humana mais inteligente e longeva”. No site “longbets.org”, o inventor fez uma aposta, no projeto das apostas públicas sobre o futuro, de que, em 2029, um computador conseguirá se passar por um ser humano. Para Kurzweil, “o ser humano que não tiver um chip em seu interior será de segunda categoria”.
Ilustres neobacharelas e neobacharéis, provavelmente, vocês viverão esses novos tempos e experimentarão suas tecnologias. Esperamos que vocês, principalmente os cientistas da Computação, procurem fazer as máquinas executarem o trabalho de máquinas e o homem o serviço de homem. Afinal, Bill Gates já afirmou que “o homem só fará aquilo que a máquina não for capaz de fazer”.
Acreditamos que o ser humano ainda criará inúmeras máquinas, mas reconhecerá que nunca existirão robôs vivenciando amor, saudade e outros sentimentos, o que levará o homem a sentir e amar com mais intensidade. Para Dostoiévski, “não é o cérebro que importa, mas as coisas que o orientam: caráter, coração, generosidade e ideias”.
Numa solenidade como esta na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, em 2005, Steve Jobs fez um memorável discurso. Entre outras orientações, deu estes conselhos:
“Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, carma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim. (...)
Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.
Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.
Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue. (…)
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.
Não fique preso pelos dogmas (…)
Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.
E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles, de alguma maneira, já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.”
Honrados formandos e formandas, amanhã, na vida profissional, tenham Clemenceau como mentor. Para ele, “a vida é uma oportunidade para ousar”. E, ao ousar, sigam o mestre Genuino Sales, quando diz: “Uma coisa é o que eu faço, outra coisa é o que nós fazemos.”
Momentos vividos e revividos em um momento nobre. Ao saírem daqui para novos desafios, vocês poderão ser questionados com a indagação: “Qual o melhor momento de sua vida?” Conselho de amigo: o melhor momento é o que virá!
Um abraço caloroso de todos os que fazem a Organização Educacional Farias Brito.
Muito obrigado!



